sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sorriso de porcelana

Vem a menina sorridente e simpática que conversa com todos e mesmo com seus momentos infelizes, está alegrando os outros com seus abraços e piadas. Ela passa por mim com seus passos rápidos que colorem por segundos o ambiente.
Foi só quando peguei sua alma no colo, de dentro da banheira de sangue, congelada e de pulsos machucados, que vi a menina verdadeira. Os sorrisos, piadas e abraços vinham de alguém que ela criara, alguém que almejava ser e em seu rosto só havia a miséria de amor.
O céu estava chorando, com cor de dor e, ao mesmo tempo, de esperança. Esperança de que agora ela pudesse sorrir sem querer chorar. Esperança de que ela não tivesse mais que fingir felicidades.

- Texto inspirado por Sarah Munhoz -

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O presente vermelho.


Ele veio a mim com uma faca em sua mão esquerda, fez um corte vertical em seu peito e de lá tirou seu coração. Esticou-o em minha direção. O sangue pingava por entre os dedos, e o músculo ainda lutava, contraindo e relaxando-se.

"O que é isso?", eu disse sem entender e ele me explicou: "Estou te dando o meu coração, a partir de agora, serei o que chamam de 'sem coração', não terei mais sentimentos, até porque não faz sentido."

Eu pensei por um segundo olhando para a poça vermelha que se formava entre nós e perguntei o que não fazia sentido, foi então que ele me respondeu apenas com as palavras. Haviam lágrimas em sua alma, e eu podia sentir o gosto salgado delas quando ele resolveu falar. "Não faz sentido ter um coração em meu peito, se ele bate apenas por você. Decidi entregá-lo à verdadeira dona."
Eu estiquei minha mão, segurei todos os sentimentos, todas as lembranças e toda a vida do rapaz. Ele apenas começou a andar, vazio e sem rumo.

domingo, 23 de maio de 2010

Cheire.

Passos ritmados, mãos balançando, corre-corre, olha no relógio e aumenta a velocidade. Anda, passa, olha para o jornal, termina de ler, não pare de andar! Nunca pare de se mover. Anda corre, trabalha, corre.
Impressionante como não há tempo para sentir a brisa, não se consegue olhar as cores, não se pode cheirar os momentos. Sim! Cheirar os momentos. Vê que não se pode mais?
As pessoas não se lembram do cheiro do seio da mãe, ou do cheiro do seu quarto de bebê. O cheiro dos primeiros passos e do primeiro natal.
As vezes se lembram do cheiro da lasanha da avó, ou do cheiro daquele bolinho de chuva da sua infância, mas nunca da aula de karatê ou da primeira aula de ballet.
Passa um perfume ao seu lado. "Conheço esse cheiro de algum lugar", você pode pensar, mas não se lembrará que era o mesmo perfume do seu amor.
Você prestou atenção no cheiro da rua quando saiu hoje de manhã? Ou do cheiro da ultima chuva que molhou o seu corpo? Se lembra do cheiro da sala de aula ou do escritório que você fica todos os dias? Se lembra do cheiro da primeira vez que pisou em um palco?
Use seu cérebro e seu olfato, sinta o feliz cheiro do amanhecer, o sonhador cheiro do travesseiro, o brilhante cheiro da noite, o esperançoso cheiro da chuva, o doce cheiro da neve e o nostálgico perfume daquela pessoa.
Sinta os odores que te cercam não só com o nariz, mas com a pele. Absorva o cheiro e transforme-o em um sentimento, se funda a ele e viaje pela leve brisa dos tempos.

domingo, 16 de maio de 2010

Sarah Munhoz


As pessoas erram, é obvio... Você nasce sabendo disso. Mas ser normal não pode ser desculpa para tirar de você as consequencias do que fez.

Desde pequeno você é obrigado a pedir desculpas, e quando você cresce e erra de verdade, simples desculpas não parecem suficientes. Elas se tornam apenas palavras jogadas ao vento.

E como fazer pra se redmir? Como fazer pra mostrar seu arrependimento e ganhar de volta o abraço caloroso, os sorrisos e os conselhos perdidos por um erro?

Um erro gigante, que foi capaz de congelar a amizade mais profunda, não pode ser desfeito assim, em um passe de mágica. E também somos apenas humanos e não podemos concertar tudo o que quebramos durante nossa caminhada.

O que nos resta é lembrar dos momentos bons, das risadas e das saídas, das manhãs e das noites, dos filmes e das músicas, dos abraços e dos conselhos. Cada momento passado foi único, todos os sorrisos e todas as lágrimas foram, acima de tudo, verdadeiras e é impossivel desfazer a felicidade que ficou marcada no coração e na memória de cada um.

Quem sabe relembrar traga a vontade de fazer tudo de novo, esquecer as mancadas e concertar os erros. Na esperança de ter de volta o conselheiro, o acompanhante, o amigo verdadeiro.

Se relembrar não trouxer essa vontade, ou se ela não for suficiente para se colocar em risco de viver a amizade novamente, pelo menos tem-se uma história pra contar e as lembranças a vagar na sua mente por todas as noites da sua vida.


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Seu cheiro me instiga, me dá uma vontade louca de nunca mais te soltar. É novo pra mim, tudo isso que está acontecendo, não sei se estou reagindo bem. Aliás, nem consigo reagir direito.
Você me instiga e me faz agir pelos meus instintos, não me dá tempo para pensar direito.
E é quando eu volto pra casa que bate a saudade e eu começo a pensar chegando à conclusão de que nada mais importa.
Quero você comigo 24 horas.
Quero poder olhar ao meu lado e te ver sorrindo, quero sentir o seu calor e o seu perfume.

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