terça-feira, 24 de agosto de 2010

Não consigo mais escrever nesse blog.
Voltarei assim que possível.

sábado, 14 de agosto de 2010


Uma enorme tristeza veio em minha direção e me atingiu como uma forte ventania me impedindo de continuar minha caminhada e até me faz voltar alguns passos.
Aquele cheiro, que eu tinha todo dia, faz falta, era um cheiro de segurança, um cheiro morno de amor. E agora, que a ventania o levou embora, estou despida de qualquer coisa que me deixe confortável, as cadeiras parecem ter espinhos e a minha cama parece ser de gelo.
Por mais que eu acorde de manhãzinha e tente sorrir para tudo e para todos, vê-se nos meus olhos que é tudo forçado, que a cada sorriso eu quero derrubar oceanos de lágrimas e que a cada palavra dita a minha vontade seria soluçar. Eu tento sim, me forçar a ser feliz sem você.. mas simplesmente não consigo.
Não consigo te ver todos os dias e não querer te abraçar e falar o quanto eu ainda te amo.
Ontem eu sorri, fiz piadas, conversei e quando chegou a noite palavras duras me reprimiram e me disseram "Todos viram, hoje, que você não estava feliz, tudo bem você fingir pra ele, ninguém precisa te ver chorando 24 horas por dia, mas aqui somos seus amigos, você pode chorar e ser o que você é."
O problema é que eu não sou eu sem você, e me corta o coração, porque eu realmente gostava de mim mesma.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu chorei sim, mesmo vendo você rindo com seus amigos normalmente.
Não sei como você consegue ser tão insensível, acho que o coração de pedra, afinal, não era eu.
Eu sofri sim, batalhei comigo mesma na minha cabeça tentando entender até onde era felicidade e até onde seria tristeza.
Todos os momentos e tudo o que passamos junto vão ficam em mim pra sempre, porque eu gostei mais de você do que eu queria.
Eu dei de ombros sim, precisava mostrar-me forte em algum momento, mesmo que eu desabasse minutos depois.
Me manti firme olhando nos seus olhos, que nada me mostravam além de escuridão, e, mesmo querendo chorar, nessa hora, não chorei.
Eu amei sim, não importa tudo o que houve, e todos os erros de nós dois, é impossivel dizer que eu não te amei.
Te amei cada segundo mais.

sábado, 24 de julho de 2010

"Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isso?Os meus grandes desgostos nesse mundo foram os desgostos de Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim, como eu própria."
( O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë; página 47)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sorriso de porcelana

Vem a menina sorridente e simpática que conversa com todos e mesmo com seus momentos infelizes, está alegrando os outros com seus abraços e piadas. Ela passa por mim com seus passos rápidos que colorem por segundos o ambiente.
Foi só quando peguei sua alma no colo, de dentro da banheira de sangue, congelada e de pulsos machucados, que vi a menina verdadeira. Os sorrisos, piadas e abraços vinham de alguém que ela criara, alguém que almejava ser e em seu rosto só havia a miséria de amor.
O céu estava chorando, com cor de dor e, ao mesmo tempo, de esperança. Esperança de que agora ela pudesse sorrir sem querer chorar. Esperança de que ela não tivesse mais que fingir felicidades.

- Texto inspirado por Sarah Munhoz -

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O presente vermelho.


Ele veio a mim com uma faca em sua mão esquerda, fez um corte vertical em seu peito e de lá tirou seu coração. Esticou-o em minha direção. O sangue pingava por entre os dedos, e o músculo ainda lutava, contraindo e relaxando-se.

"O que é isso?", eu disse sem entender e ele me explicou: "Estou te dando o meu coração, a partir de agora, serei o que chamam de 'sem coração', não terei mais sentimentos, até porque não faz sentido."

Eu pensei por um segundo olhando para a poça vermelha que se formava entre nós e perguntei o que não fazia sentido, foi então que ele me respondeu apenas com as palavras. Haviam lágrimas em sua alma, e eu podia sentir o gosto salgado delas quando ele resolveu falar. "Não faz sentido ter um coração em meu peito, se ele bate apenas por você. Decidi entregá-lo à verdadeira dona."
Eu estiquei minha mão, segurei todos os sentimentos, todas as lembranças e toda a vida do rapaz. Ele apenas começou a andar, vazio e sem rumo.

domingo, 23 de maio de 2010

Cheire.

Passos ritmados, mãos balançando, corre-corre, olha no relógio e aumenta a velocidade. Anda, passa, olha para o jornal, termina de ler, não pare de andar! Nunca pare de se mover. Anda corre, trabalha, corre.
Impressionante como não há tempo para sentir a brisa, não se consegue olhar as cores, não se pode cheirar os momentos. Sim! Cheirar os momentos. Vê que não se pode mais?
As pessoas não se lembram do cheiro do seio da mãe, ou do cheiro do seu quarto de bebê. O cheiro dos primeiros passos e do primeiro natal.
As vezes se lembram do cheiro da lasanha da avó, ou do cheiro daquele bolinho de chuva da sua infância, mas nunca da aula de karatê ou da primeira aula de ballet.
Passa um perfume ao seu lado. "Conheço esse cheiro de algum lugar", você pode pensar, mas não se lembrará que era o mesmo perfume do seu amor.
Você prestou atenção no cheiro da rua quando saiu hoje de manhã? Ou do cheiro da ultima chuva que molhou o seu corpo? Se lembra do cheiro da sala de aula ou do escritório que você fica todos os dias? Se lembra do cheiro da primeira vez que pisou em um palco?
Use seu cérebro e seu olfato, sinta o feliz cheiro do amanhecer, o sonhador cheiro do travesseiro, o brilhante cheiro da noite, o esperançoso cheiro da chuva, o doce cheiro da neve e o nostálgico perfume daquela pessoa.
Sinta os odores que te cercam não só com o nariz, mas com a pele. Absorva o cheiro e transforme-o em um sentimento, se funda a ele e viaje pela leve brisa dos tempos.