domingo, 23 de maio de 2010

Cheire.

Passos ritmados, mãos balançando, corre-corre, olha no relógio e aumenta a velocidade. Anda, passa, olha para o jornal, termina de ler, não pare de andar! Nunca pare de se mover. Anda corre, trabalha, corre.
Impressionante como não há tempo para sentir a brisa, não se consegue olhar as cores, não se pode cheirar os momentos. Sim! Cheirar os momentos. Vê que não se pode mais?
As pessoas não se lembram do cheiro do seio da mãe, ou do cheiro do seu quarto de bebê. O cheiro dos primeiros passos e do primeiro natal.
As vezes se lembram do cheiro da lasanha da avó, ou do cheiro daquele bolinho de chuva da sua infância, mas nunca da aula de karatê ou da primeira aula de ballet.
Passa um perfume ao seu lado. "Conheço esse cheiro de algum lugar", você pode pensar, mas não se lembrará que era o mesmo perfume do seu amor.
Você prestou atenção no cheiro da rua quando saiu hoje de manhã? Ou do cheiro da ultima chuva que molhou o seu corpo? Se lembra do cheiro da sala de aula ou do escritório que você fica todos os dias? Se lembra do cheiro da primeira vez que pisou em um palco?
Use seu cérebro e seu olfato, sinta o feliz cheiro do amanhecer, o sonhador cheiro do travesseiro, o brilhante cheiro da noite, o esperançoso cheiro da chuva, o doce cheiro da neve e o nostálgico perfume daquela pessoa.
Sinta os odores que te cercam não só com o nariz, mas com a pele. Absorva o cheiro e transforme-o em um sentimento, se funda a ele e viaje pela leve brisa dos tempos.

domingo, 16 de maio de 2010

Sarah Munhoz


As pessoas erram, é obvio... Você nasce sabendo disso. Mas ser normal não pode ser desculpa para tirar de você as consequencias do que fez.

Desde pequeno você é obrigado a pedir desculpas, e quando você cresce e erra de verdade, simples desculpas não parecem suficientes. Elas se tornam apenas palavras jogadas ao vento.

E como fazer pra se redmir? Como fazer pra mostrar seu arrependimento e ganhar de volta o abraço caloroso, os sorrisos e os conselhos perdidos por um erro?

Um erro gigante, que foi capaz de congelar a amizade mais profunda, não pode ser desfeito assim, em um passe de mágica. E também somos apenas humanos e não podemos concertar tudo o que quebramos durante nossa caminhada.

O que nos resta é lembrar dos momentos bons, das risadas e das saídas, das manhãs e das noites, dos filmes e das músicas, dos abraços e dos conselhos. Cada momento passado foi único, todos os sorrisos e todas as lágrimas foram, acima de tudo, verdadeiras e é impossivel desfazer a felicidade que ficou marcada no coração e na memória de cada um.

Quem sabe relembrar traga a vontade de fazer tudo de novo, esquecer as mancadas e concertar os erros. Na esperança de ter de volta o conselheiro, o acompanhante, o amigo verdadeiro.

Se relembrar não trouxer essa vontade, ou se ela não for suficiente para se colocar em risco de viver a amizade novamente, pelo menos tem-se uma história pra contar e as lembranças a vagar na sua mente por todas as noites da sua vida.