sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sorriso de porcelana

Vem a menina sorridente e simpática que conversa com todos e mesmo com seus momentos infelizes, está alegrando os outros com seus abraços e piadas. Ela passa por mim com seus passos rápidos que colorem por segundos o ambiente.
Foi só quando peguei sua alma no colo, de dentro da banheira de sangue, congelada e de pulsos machucados, que vi a menina verdadeira. Os sorrisos, piadas e abraços vinham de alguém que ela criara, alguém que almejava ser e em seu rosto só havia a miséria de amor.
O céu estava chorando, com cor de dor e, ao mesmo tempo, de esperança. Esperança de que agora ela pudesse sorrir sem querer chorar. Esperança de que ela não tivesse mais que fingir felicidades.

- Texto inspirado por Sarah Munhoz -

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O presente vermelho.


Ele veio a mim com uma faca em sua mão esquerda, fez um corte vertical em seu peito e de lá tirou seu coração. Esticou-o em minha direção. O sangue pingava por entre os dedos, e o músculo ainda lutava, contraindo e relaxando-se.

"O que é isso?", eu disse sem entender e ele me explicou: "Estou te dando o meu coração, a partir de agora, serei o que chamam de 'sem coração', não terei mais sentimentos, até porque não faz sentido."

Eu pensei por um segundo olhando para a poça vermelha que se formava entre nós e perguntei o que não fazia sentido, foi então que ele me respondeu apenas com as palavras. Haviam lágrimas em sua alma, e eu podia sentir o gosto salgado delas quando ele resolveu falar. "Não faz sentido ter um coração em meu peito, se ele bate apenas por você. Decidi entregá-lo à verdadeira dona."
Eu estiquei minha mão, segurei todos os sentimentos, todas as lembranças e toda a vida do rapaz. Ele apenas começou a andar, vazio e sem rumo.