sexta-feira, 4 de junho de 2010

O presente vermelho.


Ele veio a mim com uma faca em sua mão esquerda, fez um corte vertical em seu peito e de lá tirou seu coração. Esticou-o em minha direção. O sangue pingava por entre os dedos, e o músculo ainda lutava, contraindo e relaxando-se.

"O que é isso?", eu disse sem entender e ele me explicou: "Estou te dando o meu coração, a partir de agora, serei o que chamam de 'sem coração', não terei mais sentimentos, até porque não faz sentido."

Eu pensei por um segundo olhando para a poça vermelha que se formava entre nós e perguntei o que não fazia sentido, foi então que ele me respondeu apenas com as palavras. Haviam lágrimas em sua alma, e eu podia sentir o gosto salgado delas quando ele resolveu falar. "Não faz sentido ter um coração em meu peito, se ele bate apenas por você. Decidi entregá-lo à verdadeira dona."
Eu estiquei minha mão, segurei todos os sentimentos, todas as lembranças e toda a vida do rapaz. Ele apenas começou a andar, vazio e sem rumo.

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